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Espetáculos assombrosos no Teatro Amazonas

Atualmente, quem vem para um espetáculo no Teatro Amazonas está habituado a assistir uma ópera, ouvir uma sinfonia, uma companhia encenando uma peça teatral ou ainda, grupos de dança. Mas você sabia que o palco do Teatro já abrigou, no passado, eventos um tanto mais sinistros e soturnos?

É o que um documento arquivado em nosso acervo histórico nos revela. Em dezembro de 1936, temos a notícia de que a Grande Companhia Teatral de Varieté apresentará o espetáculo do mágico Wandy, acompanhado da telepata Madame Ziva.

O programa da noite incluía, entre outras coisas, apresentação de orquestra, bailarinos e esquetes teatrais, além de uma sessão de hipnose e de prestidigitação (truques de mágica utilizando a agilidade das mãos). Contudo, o que chama a atenção são dois momentos descritos com requintes de bizarrice: em um deles, uma mulher seria serrada ao meio “inteiramente à vista do público, sem cortinas e cobertores”, utilizando “uma serra circular usada nas grandes serrarias”. No outro, seria apresentado um corpo humano separado da cabeça, que, “a 3 metros de distância do corpo, adivinhará em menos de 5 minutos, 50 nomes de espectadores”.

De acordo com a historiadora Simone Villanova, em seu livro Sociabilidade e Cultura: A História dos “pequenos teatros” em Manaus (1859-1900), esse tipo de espetáculo era comum na cidade já no séc. XIX, mesmo antes da inauguração do Teatro Amazonas, acontecendo, por exemplo, no Éden Theatro. Para a pesquisadora, o interesse por esse tipo de apresentação tem sua explicação no fato de que “os moradores da cidade já não conseguiam se distrair, ou se satisfazer em passeios campestres, ou pescas tranquilas. A emoção e o perigo passavam a ser buscados na diversão”, numa consequência de um estilo de vida frenético e acelerado das cidades urbanizadas.

Texto: Hélio Dantas | Professor e Historiador

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