DIA NACIONAL DO SAMBA

Neste Dia Nacional do Samba precisamos comemorar mais um ano de resistência. É sim! Pois do nosso coração ainda ecoa o mais forte grito clamando por igualdade, respeito e direitos, expressado pelos acordes, cantorias e batucadas em todos os cantos do nosso país. É honrar todo o amor empreendido e o legado deixado pelos nossos baluartes, que deram seu sangue e suor por esse gênero que nos representa e representa nosso país mundo afora.

Um breve contexto histórico

Para falarmos do Dia Nacional do Samba precisamos voltar na década de 60, mais precisamente em 1962, quando do encerramento do I Congresso Nacional do Samba, realizado entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro daquele ano no Rio de Janeiro, onde se consagrou o Dia do Samba. De maneira similar e sabendo de toda a movimentação acerca do assunto, o vereador de Salvador Luiz Monteiro da Costa, apresentou à Câmara de Vereadores um projeto e lei semelhante ao apresentado no Rio, propondo o dia 2 de dezembro como Dia do Samba. A lei de Salvador também previa que especificamente naquele ano de 1963 o Dia do Samba fosse celebrado em homenagem a Ary Barroso.

A comemoração da data

Como de se esperar, Brasil afora o couro come nesta data. No Rio a divertidíssima festa fica por conta do Pagode do Trem, onde cada vagão recebe um grupo que vai agitando até a estação de Oswaldo Cruz. Hoje, o trem já é parte do calendário oficial da cidade. É uma verdadeira maratona de samba. Já na estação de Oswaldo Cruz é aquele turbilhão de gente, de um lado para o outro. Em cada esquina uma roda de samba, o povo cantando, batendo na palma da mão.

Há alguns anos tive a oportunidade de estar em Salvador nessa data. Lá eles montam um enorme palco em frente ao Pelourinho e festa percorre a noite toda, sob o comando do grande compositor Nelson Rufino. Na época, pude ver o saudoso Riachão cantando seus sambas de roda, que animaram toda a multidão. Nas ruas do Pelourinho inúmeras festas rolavam acerca da data, ensaios do Olodum, do Timbalada, dentre outros grupos regionais que agitavam naquela noite.

Hoje, residindo em Manaus, vejo o quanto o povo manauara ama o samba e tudo o que lhe envolve. E ressalto: “o samba daqui não perde pra ninguém!” E não diferente, aqui também o bicho pega, com muitas rodas de samba que animam a cidade nesta data.

Por fim, cito uma frase que meu amigo e irmão Wladimir 8 cordas costuma dizer: “sambista não canta, sambista grita!” E assim, que esse grito que traz o peso da nossa ancestralidade, da luta combatida até hoje, do preconceito vivido por muitos de nós, continue a ecoar nos quatro cantos desse universo, expressando o lamento, a dor de um povo, mas também a alegria que o samba nos proporciona, o sorriso estampado no rosto, aquela empolgação que só o samba nos dá. De acessar e trazer em voga inúmeras questões sociais, que ele continue exercendo esse papel de formar opinião, de manifestar-se como voz ativa. Que continue a brilhar nas avenidas e a arrastar multidões! Sejas tu nossa apoteose, nosso êxtase, nosso amor declarado. Samba, agoniza mas nunca morrerá!

Por William do Banjo,

Músico, compositor, sambista e amante do samba

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