As transformações no Museu na contemporaneidade, segundo museóloga

Tema bastante desafiador proposto pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus) para este ano de 2022: O poder dos Museus. É de grande importância reconhecer o Poder dos Museus. Isso pode ser libertador. Mas, que poder é esse que tanto permeia na mente dos profissionais que atuam nas instituições museológicas? O poder da construção, regeneração, criação, que já vem sendo desenvolvidos nos espaços museais mais que agora tem uma importância enorme devido as transformações nas sociedades nos últimos tempos.

Esta instituição “museu” que vem da Grécia Antiga, com o Templo das Musas (Museion), tem um poder gigantesco nas mãos. Poder de dialogar com seu acervo e o público visitante, trazendo educação, memória, orientação, cuidado, conhecimento e, outros.  Seu quadro funcional bem diversificado composto por profissionais de múltiplas áreas, seu acervo material ou imaterial, seu papel perante a sociedade vigente e as novas tecnologias inseridas, acarretam uma gama de descobertas, principalmente na educação e na comunicação museológica, atingindo e transcendendo o objetivo traçado pela instituição.

Como trabalhar a sociedade e seus dilemas dentro dos museus? Através da educação seria o primeiro passo, já que com ela as transformações acontecem. As ações educativas e de arte-educação desenvolvidas na instituição museu perpassa seus muros reais e irreais em se tratando das tipologias de museu, fazendo chegar a quem é de direito a proposta deste, claro, com o recurso da observação, pesquisa de campo, estratégias e planejamento.

Na contemporaneidade, as ações museológicas, em boa parte dos museus vêm se pautando aos temas sociais da atualidade, trazendo novas linguagens expositivas, recursos midiáticos, equipamentos tecnológicos, abordando e dialogando com as narrativas através do seu acervo a serviço da sociedade. Problemáticas fazem parte do cotidiano do museu e do seu entorno, como: falta de água, falta de saneamento básico, precariedade da educação e da saúde, doenças pandêmicas e endêmicas, corrupção, intolerância religiosa e de gênero, perda dos direitos dos povos minoritários, etc., esses recursos são primordiais para se chegar a um entendimento, uma prática reflexiva e uma boa fruição dessas e de outras temáticas.

Um tema bastante atual e desafiador é a pandemia do COVID-19 que se tornou uma problemática muito trabalhada e preocupante, pois fez uma revolução na vida das populações no mundo e em todos os setores, seja social, econômico, político, cultural que abrange a instituição museu que também sofreu nesse quadro pandêmico. O museu teve que se adequar as normas vigentes, procurar meios de continuar atuando em suas ações e modificando linguagens e formas de comunicação para entreter e levar conhecimento ao seu público. Transformando, dando voz e empoderando as comunidades do seu entorno, a fim de fortalecer laços e juntos com elas vencer obstáculos. Diante desse quadro tão atual da pandemia, nas instituições museais constantes reuniões virtuais, debates, palestras e exposições, usando ferramentas tecnológicas como suporte habitual na realização de suas atividades. É a era da tecnologia se fazendo presente com toda força na vida dos usuários para suprir necessidades e levar para a população.

A dinamicidade cultural a cada momento traz novas abordagens e linguagens exigindo da instituição “museu” um olhar mais sensível, mais amplo para se adequar à constante transformação a qual a sociedade vive. As novas tecnologias com suas linguagens, metodologias e ferramentas, vêm auxiliar não só nos setores técnicos bem como na comunicação e no diálogo com o público. Mas não só na comunicação que esta tecnologia auxilia, nas ações museológicas de documentação, conservação, planejamento e pesquisa. O uso destes recursos trouxe muito benefício e melhoria no desenvolvimento de ações, agilizando processos e criando mecanismos que ajudam nas atividades administrativas e acomete na descoberta do acervo danificado ou que antes se achava perdido pelas intempéries da natureza ou pela ação humana, ampliando o acesso à informação e cultura.

 

 

Texto: Livia Maria Baêta da Silva

Graduada em Museologia e Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Pós-graduada em Especialização Docência do Ensino Superior –  Faculdade Visconde de Cairu

 

 

 

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